Nutrição e suplementação para uma pele mais jovem, é possível?

Apesar de que em muitas ocasiões se relaciona o que comer ou com o que nos suplementamos com uma melhora da pele, são muitos e variados os protocolos a seguir que podemos encontrar na rede de redes, livros ou outros métodos de consulta. Na realidade, há muito poucos estudos que tenham investigado os efeitos de forma sistemática (através de revisão ou isso resultaria). Por sorte, acaba de ser publicado uma revisão de todos os estudos disponíveis hoje (27) que incluíam participantes de pelo menos 18 anos de idade (n=4741), em que se observaram como a ingestão dietética de certos alimentos naturais ou o uso de alguns suplementos podem apresentar resultados em alterações do aspecto da pele. O excesso de consumo de caqui (1kg por dia), noni (50 unidades por dia), cenouras cruas (2kg por dia), e tomate (0,5 kg por dia), ou o simples consumo de 4410µg de beta-caroteno em forma de suplemento pode dar lugar a uma aparência de cor laranja para pele, em sua maioria, não desejado. Por outro lado, um alto consumo de legumes, azeite de oliva, frutas e verduras acima da média (>5 porções por dia) está associada com a redução de rugas da pele, mas não o excesso de consumo de beta-caroteno, vitaminas em geral e todo tipo de polifenóis. Além disso, isso vem a complementar o achado de Miranda et al. (2007), que associou uma maior ingestão de vitamina C e ácido linoléico com uma menor probabilidade de rugas, ressecamento e atrofia da pele. Por um lado, este tipo de nutrientes, com as adaptações ao exercício, há que dizer que se deve ter cuidado com a ingestão de suplementos de antioxidantes (vitamina C, vitamina E, NAC, polifenóis...) já que recentemente foi demonstrado que atenuam a resposta adaptativa ao exercício, se tomados de forma crônica (normal)(1). Na mesma linha, também para combater as rugas faciais foi encontrado que diferentes suplementos, como a raiz de ginseng vermelho ou esqualeno, parecem ser eficazes em ensaios clínicos aleatórios de diferente qualidade metodológica. O chá verde (aplicado topicamente ou por via oral) e bebidas ricos em cacau, por outro lado, não afetaram a melhora das rugas em os estudos correspondentes. Quanto ao seu efeito sobre a elasticidade e a rugosidade da pele, os efeitos protetores dos probióticos (em frente à radiação UV) e carotenóides não possuem respaldo evidente. De fato, pode até ser contraproductivo seu uso a longo prazo, uma vez que foi demonstrado um aumento significativo na dose mínima de eritema (nível exigido da pele, para que o sol possa causar queimadura) após 6 semanas de suplementação com Lactobacillus (La1) e 7,2 mg de carotenóides (?-caroteno e licopeno) e que, portanto, poderia gerar efeitos potencialmente negativos a longo prazo. Em contraste com o exposto em linhas anteriores, as mulheres afirmam que o consumo de suplementos que contêm polifenóis, extratos de Ginkgo, Ruscus, Melilotus, e Centella asiática, com ou sem adição de ácidos graxos e vitamina E, eles tinham uma visão subjetiva de que, surpreendentemente, a aparência de sua celulite foi menor. Se bem que isto não pode ser tomado como uma medida objetiva da aparência física de uma pessoa, vale a pena mencionar que encontrou uma correlação significativa entre a adesão dos participantes às orientações dietéticas e a probabilidade de ter uma imagem corporal positiva. Em conclusão, há provas suficientes para associar o consumo de certos alimentos ou suplementos com a aparência da pele. Ainda que exista alguma evidência que sugere que os suplementos podem contribuir para melhorá-lo, estes estudos foram heterogêneos no projeto e a maioria deles são realizados apenas nas fêmeas. Os suplementos sozinhos não vão neutralizar os efeitos negativos de uma má alimentação e a falta de hábitos de estilo de vida saudável, entre os quais a falta de exercício diminui a vasodilatação e aumenta a retenção de líquidos, além de ganho de peso, algo que subjetiva e objetivamente, se relaciona com uma deterioração da beleza da pele.